O que fazer

 Sempre me vi como uma pessoa com um grande futuro pela frente: feliz, realizada dentro da profissão que eu escolheria, uma família talvez, cachorros com certeza, viagens (nacionais e internacionais!) e muita tranquilidade. 

Bem, é o que não aconteceu. 

A única coisa que chegou no futuro foi, basicamente, o futuro. Nada de bom veio com isso. Muitas decisões. Muitas incertezas. Que faculdade eu faço? Quem é a pessoa ideal para mim? Como que paga a conta de luz? Como eu faço para não gastar tanto? 

Tudo começou com meus recém completados 17 anos, eu, jovem, mas com alma de adulta, decidi ir em busca da primeira faculdade, uma faculdade de engenharia longe de casa. Óbvio que não deu certo. Com 20 já estava repleta de cicatrizes, traumas, decepções e mais dúvida do que fazer pela frente. 

Mas essa não é a história que quero começar aqui. 

O supracitado acima é só uma parte da minha vida, uma parte que já descansa em paz, assim como eu num futuro próximo. Eu sei, não devemos falar coisas assim. Mas aqui é a internet, um blog aleatório que criei e que irei falar. 

Desde que me conheço como gente eu vejo a dor como uma maneira de solucionar a minha dor. Incrível né, algo que você deveria usar como um pretexto para ter medo, você usa como alívio em situações de desespero. Mas o corpo humano é assim, pelo menos o meu é. 

Quando você sente o caminhar da lâmina na sua pele, desenhando um traço vermelho em algo que nunca mais voltará a ser como era antes. Quando você sente um alívio gigantesco em algo que até então estava lhe martirizando, te fazendo doer, sofrer e não entender. É mais ou menos assim que eu me sinto quando eu (vou utilizar um verbo mais tranquilo aqui: desenhar) desenho. O desenho é algo que me faz sentir viva, que me dá uma pequena alegria em momentos que até então, não existiam. 

Não estou querendo romantizar o desenho. De maneira alguma. Inclusive sou contra alguém começar a se desenhar. É o melhor e o pior vício que alguém pode ter. O desejo, a saciedade que ele implica é algo surreal. Mas, gera consequências. Tremendas. 

A sociedade já sabe lidar com o vício em álcool, drogas, sexo?, remédios, mas, este pequeno ato do desenho, lhe serve para rotular como maluco, sem noção, e por aí vai. 

Mas, eu me questiono, eu realmente quero que a sociedade queira lidar comigo?


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